terça-feira, 12 de outubro de 2010

Etapa 25 - Cebreiro - Triacastela

Dia 12 de Outubro de 2010


Não tive pressa em acordar e acho que fui o último a sair propositalmente do albergue, isto principalmente porque estava um frio danado lá fora e fiquei com medo de pegar a trilha no escuro.


Bosque Cebreiro

Tomei o meu café e comecei a descer e a subir também, pois até começar a descida forte teriam várias subidas e descidas. Cheguei até o Alto de San Roque e comtemplei a linda escultura feita de um peregrino. Até aí a trilha estava toda dentro da névoa e com uma cara de filme de terror.

Alto San Roque -  Os dois peregrinos..rsrs

O tempo hoje estava muito aberto, com um lindo sol. Logo alcancei o alto do Poio, com uma altitude de 1337 mts, assim como o Cebreiro. Após isto começou a descida não tão forte até Biduedo e após, uma forte descida interminável de terra batida e com várias pedras soltas. Chegou uma hora que parei pois minhas pernas estavam bambas e nessa hora passou uma espanhola a todo vapor gritando Animo.
A descida

Parei na cidade de triacastela, pois segundo o meu guia, a etapa de hoje chegava até Sarria, totalizando 38 kms. Achei muito e resolvi dividir-la em duas de 19kms hoje e 18 amanhã até Sarria. Hoje faltam 134 kms.

Etapa 24 - Villafranca del Bierzo - Cebreiro

Saí ainda na escuridão e queria pegar a trilha pela floresta até Trabadelo, a segunda cidade, mas caí na trilha pela rodovia e resolvi não voltar para a cidade para pegar a outra. Cheguei bem cedo em Pereje, 7 kms de Vilafranca, onde alguns amigos peregrinos resolveram dormir ontem para amenizar a etapa de hoje, que é de pura subida.Aproveitei para tomar um café reforçado e continuar a caminhada. Levei 4 horas para chegar até Vega de Valcarce, a última cidade grande antes do Cebreiro e resolvi me precaver quanto à comida, comprei o jantar de hoje e o café de amanhã.Achei nessa cidade também uma padaria artesanal e comi ali o que seria o meu almoço, empanada e Suco de Laranja.

Tento não ser repetitivo, mas é impossível: O caminho de hoje foi maravilhoso !! Parecia que estava num filme do Senhor dos Anéis, na terra dos Hobbits (os duendes da floresta), principalmente em La Faba, onde todo o verde dava o toque.
La Faba

Após me extasiar com toda a beleza do lugar, começou pouco a pouco o sofrimento: A subida.

E que subida! Parecia que estava subindo a cachoeira da Feiticeira em Ilha Grande, só que agora estava com 9kgs nas costas, o que dificulta bastante.

A cada hora que olhava, estava mais alto na trilha e subiria assim até que chegasse aos 1300 mts. Quando cheguei a uma cidade chamada Laguna de Castilha fiquei todo feliz, pois já estava morto de subir. Quando olho para uma das placas indicativas vejo que faltava ainda 2 kms. Precisava de alguma coisa que não fosse agua para beber e acabei me fortalecendo com um isotônico chamado Aquarius, que todos os peregrinos, acredito eu, já beberam alguma vez.

Juntei forças e me pus a subir de novo, Já eram 15hs e o tempo começou a mudar para uma nevoa muito forte. Era um bom sinal, estava perto do Cebreiro. Quando a avistei fiquei aliviado, pois já estava morrendo de medo de o tempo virar em chuva e ter que me adaptar todo para isso.

Chegada no Cebreiro


O cebreiro é uma cidade inacreditável, onde existem as tradicionais palhoças, casas feitas de pedra com telhado de palha, de origem Celta. A cidade pelo que vejo, e pelo que já escutei sobre ela, sempre está coberta por uma densa névoa, que dá um toque misterioso ao lugar. Reza a história que aqui foi o primeiro lugar onde existiu a acolhida dos peregrinos Rumo a Santiago, em 1072. Aqui também possui um milagre, dizem que por volta de 1300, um senhor subiu em plena tempestade para assistir à missa no lugar, o sacerdote por sua vez, que não estava tão motivado para fazer a missa, não deu o devido valor ao pobre católico e disse murmurando " Aì vem este pobre no meio da tempestade para ver um pouco de páo e de vinho" , na hora da consagraçäo o vinho virou sangue e a hóstia, carne. Na igreja ainda está o cálice onde houve o milagre e que o chamam de Santo Graal.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Etapa 23 - Ponferrada - Villafranca del Bierzo

Hoje este percurso seria de 23 kms e com um trajeto plano. Estou tentando intercalar as quilometragens para descanso dos pés, pois não há como fazer uma caminhada longa e no dia seguinte repetir.


A saída de Ponferrada passou novamente pelo castelo e pude admirar o tamanho da obra, um grande castelo como nos filmes medievais, onde viveram os cavaleiros templários que aqui cuidavam da segurança dos peregrinos no século XII. Naquela epoca também existiam ladrões.



Hoje andei num ritmo bom, sem parar muito pois quando paro meus pés ficam intocaveis quando esfriam e preciso manter-los quentes e funcionando..rs

No caminho encontrei dois italianos que fiz amizade e disseram que não parariam em Villafranca e que seguiriam até a próxima cidade após villafranca, mais 7 kms. Me disseram que queriam fazer amanhã somente 23 kms pois seria a subida do Cebreiro, um trajeto que sai de 600 mts para 1300mts, onde esta cidade está no topo. Até concerdei com a lógica mas meus pés me diziam o contrário. Mais 7 kms seriam muito para mim hoje e preferi sofrer tudo amanhã.

A paisagem de hoje foi muito bonita com muito verde e lindas parreiras , pois aqui também é um local produtor de vinho, chamado El Bierzo. O tempo também ajudou, com um lindo sol e até um pouco de calor.

Chegando em Villafranca fiquei no albergue Municipal, com 100 camas, e assim que terminei de lavar o que precisava fui para a cidade para conhecer os principais monumentos da cidade. Quando cheguei na praça principal vi uns peregrinos reunidos num bar, entre eles estavam o Holandês que veio de sua casa até aqui ( já andou 2600 kms), José (Madrid) e conheci novas pessoas um alemão que não lembro o nome e um senhor que veio de cadeira de rodas adaptada desde uma cidade da alemanha. Ele está pedalando desde Abril. Ficamos ali bebendo cerveja e conversando sobre tudo. Como havia Wi-fi atualizei o blog. Combinamos de fazer o jantar juntos.

Acabei não visitando nada hoje, mas as experiências pessoais que conheci hoje não tiveram preço. É nessa hora que vemos do que somos capazes.

Hoje faltam apenas 200 kms para chegar até Santiago. Quem diria que eu chegaria até aqui, pois não consegui me preparar no Rio, apenas subi 3 vezes a Mesa do Imperador(6kms) e me sentia um pouco rendido quanto à parte fisica. Mas estou aqui, já sentindo um frio na barriga por saber que isto daqui há 8 dias irá acabar.

domingo, 10 de outubro de 2010

Etapa 22 - Rabanal del Camino - Ponferrada

Hoje a caminhada seria cansativa, pois A penúltima grande subida do caminho seria hoje: A cruz de Ferro. Um monumento fincado a aproximadamente 1500 metros e onde reza o hábito de deixar uma pedra, levada de seu País, onde você faz um pedido do que quer deixar ali. Pode ser uma melhora no seu Eu, ou um pedido de alguma coisa que queira que aconteça. Dizem que a pedra representa o peso que carregamos na nossa vida. Bom, deixei a minha.rsrs


Comecei ás 08:00hs e quando saí do albergue vi que hoje além de cansativa seria chata, pois estava caíndo um pé dágua daqueles, que até hoje no caminho não vi igual. Me lembrei logo da calça impermeável que despachei pelo correio para Santiago, como seria útil hoje. Acabei usando a calça de todos os dias e foi tudo bem.

Conheci a cidade fantasma de Foncebadón, onde moram apenas 5 pessoas no total. Ocaminho foi muito bonito, com trilhas no meio da floresta e a paisagem mudando a cada passo que era dado.

Foncebadon

Cheguei à Cruz de Ferro e deixei a minha pedra, com um pedido em especial e fiz uma oração pedindo muita proteçao a todos no Brasil de quem amo. Foi muito emocionante e bonito pois a paisagem lá de cima era maravilhosa.


Cruz de Ferro

Na descida conheci o Tomaz, um senhor que afirma ser um dos últimos templários, e que possui em Manjarin, um albergue ou sua casa onde oferece café, chá e biscoitos aos peregrinos que passam por lá. em carater de donativos.

Casa do templário

Após Manjarin preparei a minha mente para encarar 16 kms de descida. E como foi bom me preparar mentalmente, pois a descida era de muitas pedras soltas e tinha que ter muita paciência e cuidado, pois qualquer vacilo era fácil torcer o pé.

De longe era possível ver Ponferrada, mas como ainda estava longe, foi um exercício de paciencia a té chegar lá.

No meio do caminho fiquei super admirado com Molinaseca. Uma cidadezinha linda, tudo muito organizado e jeitoso, me lembrou um pouco de San Jean.

Cheguei em Ponferrada por volta das 16hs, com os pés explodindo de dor, mas ainda separei forças para visitar o castelo dos Templários onde viveram por dois séculos.
 

Etapa 22 - Astorga - Rabanal del Camino

Hoje a programação foi de fazer 20 kms entre Astorga e Rabanal para descansar um pouco os pés dos dois dias de 30 kms que andei.


Ficamos no albergue paroquial servas de Maria, fomos muito bem recebidos mas pela primeira vez em toda a viagem fiquei preocupado com a segurança, pois como a internet era liberada fui no computador e não funcionava pois havia sido roubado naquele dia o adaptador de wireless, até aí tudo bem, até que de repente uma peregrina disse que haviam roubado tudo dela, dinheiro, passaporte , etc. Fiquei muito preocupado e dormi com mais atenção com as coisas valiosas.

O caminho todo hoje foi por andadeiros, como dizem aqui que são feitos para os peregrinos. Estava muito fácil hoje, sem declives ou aclives e graças a Deus a paisagem começou a mudar de cinza para verde, muito verde.
Trilha e a cerca com as cruzes
Passei por uma cerca onde os peregrinos colocam orações, fotos e cruzes, muitas cruzes, feitas com galhos pegos na floresta. Deixei a minha lá.

Os companheiros Brasileiros queriam fazer cerca de 30 kms pois tinham que acelerar o passo para chegar em Santiago no dia 18. Como não tenho pressa, somente os aconselhei a não correr agora pois se adiantassem alguma coisa hoje teriam que sacrificar muito o corpo na longa subida da cruz de ferro, mas como o caminho é de cada um não há muito o que aconselhar. Só acho que para uma pessoa de 80 anos adiantar quilometragem nesta hora do caminho não é muito de bom senso.

Hoje me separei de todos eles, lhes desejando muito boa sorte e um bom caminho.
Catedral de Astorga

Cheguei em Astorgas e fiquei maravilhado com a cidade e as igrejas, e principalmente com o castelo de Gaudi.
Palacio de Gaudi e Eu...
Como não podeira deixar de provar comi o famos cozido maragato. O Dono do restaurante ficou nosso amigo e nos divertimos bastante com ele e ele com a gente.

Lourenzo e eu.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Etapa 21 - Villar de Mazarife - Astorga

Dia 07 de Outubro de 2010

Acordei no susto ás 07:30 hs e fui correndo tomar café e descobri que não dá para dormir com o saco de dormir, pois é muito apertado para os pés e preciso relaxar-los. Acho até que a dor que eu estava sentindo era por causa dele também pois eles ficavam numa posição muito desconfortável. Abri ele inteiro e dormi que foi uma beleza.

Hoje o tempo estava bom e com sol o tempo todo. Graças a Deus que a paisagem começou a mudar para bosques e pequenas subidas.

As pernas estavam excelentes hoje e eram para estar pois seriam 32 kms hoje até Astorga.

Saí do caminho alternativo, aquele inferno, e encontrei novamente com o real caminho francês, mais especificamente na ponte de Orbigo , onde segundo a história em 1434, DonSuero, um cavaleiro do Rei Juan II, desafiou todos os cavaleiros que quisessem lutar com ele, com o intuito de ganhar a admiração de uma moça. Foram mais de 727 corridas de cavalo, onde 60 cavaleiros vindos de diversas partes da Europa o desafiaram e quem ousasse cruzar a ponte seria considerado corvarde. Um ano depois ele se casou com a dama desejada.

Ponte de Orbigo
 A trilha mudou e começu a entrar por dentro de um bosque muito bonito, coisa que não via há tempo. Muito bonito tirei até foto com uma estatua de peregrino com a bandeira do Brasil no peito.
Chegamos em Astorga por volta das 15hs e deu tempo para tirarmos fotos da catedral de 1471, que demorou 300 anos para ficar pronta.


Bjos a todos !!!
Pai, mãe e Pri amo vocês.. Estou sentindo muitas saudades !!!

Etapa 20 - León - Villar de Mazarife

Dia 06 de Outubro de 2010.

Acordei hoje as 6:30hs e fui para o refeitório para tomar o cafe que o albergue prepara para os peregrinos,nada de mais, café, leite, pão, manteiga e geleia. Me atrasei para me arrumar e os brasileiros disseram que já estavam de saída, não me preocupei pois eu sempre os alcanço pelo caminho.

Quando estava saíndo do albergue o Andreas, um amigo austríaco que fiz aqui e que estava parado há 2 dias em León por causa de uma dor que o atormentava no pé, perguntou se eu andava devagar e disse se poderia me acompanhar. Eu disse que sim pois estou com uma dor meio chata que vai e vem no tornozelo direito, e sou obrigado a ir bem devagar.

Saímos juntos e na saída de León escolhemos o caminho pela trilha e não pela rodovia, pois já estava meio estressado de acompanhar nestes últimos dias os carros indo e vindo, queria voltar à paz que tinha no começo do caminho.


Hoje foi chuva e frio o tempo inteiro. Fiquei preocupado em estar molhando as coisas dentro da mochila.

Não sei se a trilha estava mal sinalizada no começo ou nos adiantamos quando vimos uma placa onde o caminho se dividia, o negócio que nos perdemos nesta trilha andamos 1:30hs sem ver uma seta ou indicação do caminho, e isto era ruim. Descemos até uma cidadezinha e perguntei a uma Senhora o ponto de onibu, e sem dizer nada ela perguntou:

¨ Você está procurando o caminho de santiago, não é ? Entra naquela rua ali que você encontrará o caminho¨ . Santa Senhora pensei, salvou o dia. Andamos por cerca de 20 minujtos e encontramos a primeira seta e duas peregrinas alemãs, que conheci em Boadilha, vindo em nossa direção.

Sentamos um pouco e descansamos pois já eram 11:30hs, tinhamos andado 4hs, faltavam 8 kms para chegar ao destino e meu tornozelo já estava me incomodando muito.

Ficamos ali por 20 minutos e continuamos a caminhar por uma trilha de pedrinhas e depois se transformando em lama. Lama estaque ficou grudando na sola do sapato e a cada passada peso dos sapatos aumentava e ficava impossível andar.

Cheguei ao albergue e vi que os brasileiros não estavam ali, pois com certeza devem ter escolhido o caminho pela rodovia, que era mais curto e menos cansativo.